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Mostrando postagens de março, 2022
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  SOTERÓPOLIS QUATROCENTONA   Passados 470 anos, a cidade do Salvador possui uma ancestralidade marítima. Sua população nativa foi exterminada e os primeiros desbravadores aqui chegaram pelo mar. A intensa movimentação de entra, sai, acomoda, violenta, mata etc, esboça apenas o interesse de construção e exploração de mão única.   A cidade portuária faz aniversário, feliz na ótica de alguns. Hoje moderna, letárgica, mística, festiva, escavada, violentada, lavada pela chuva e pelo sangue de seus filhos.   Ainda porta de entrada e saída de mercadorias, excludente. Primeira capital do país, cidade mais negra fora da África, dizem que tem o povo mais hospitaleiro, terra da felicidade. Pra que servem esses títulos? Sua criação motivou cobiça, desprezo, ocupação de variada ordem. Quem mais trabalhou pelo seu crescimento foi mantido na via marginal da história. Uma história de diáspora em rede, cujo interesse maior era garantir o privilégio do regime escravista. As e...
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     A FESTA      Esta resenha reflete sobre a organização do livro La fête,  do artista canadense Jean-François Prost, com minha honrosa participação. Em foco as várias situações, espaços e possibilidades em que a festa acontece. Um material para reflexão e estudo sobre a imagem e suas implicações iconográficas. O texto foi publicado na revista  La Rivada. Investigaciones en Ciencias Sociales   da Faculdade de Ciências Humanas e Sociais da Universidade Nacional de Misiones (Argentina).    Para ler,  no endereço a seguir   http://www.larivada.com.ar/index.php/numero-17/resenas/333-vamos-celebrar-os-espacos  
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  100 ANOS DE PIER PAOLO PASOLINI Importante lembrar e celebrar a passagem do centenário do intelectual mais controverso no século XX, provavelmente o maior poeta da Itália contemporânea, cujo discurso segue presente causando inquietações. Dia 5 de março de 1922 nasceu Pier Paolo Pasolini, um homem de mil e uma idéias. Poeta, romancista, ensaísta, cineasta, dramaturgo, ator, pintor, Pasolini era ligado aos problemas sociais e políticos do seu tempo. Logo nos primeiros anos da adolescência enfrentou o peso do fascismo de Mussolini. Desde cedo já contestava aspectos considerados inquestionáveis até então. Filho de militar fascista e de uma professora primaria, nunca teve boa relação com o pai, situação que se agravou com a queda do regime de Mussolini, quando as divergências entre os dois assumiram conotações políticas. Sua inclinação para a pintura se manifestou precoce. Com a idade de quatro anos enchia os cadernos de desenhos. A poesia veio depois, decorrente da dedicação pe...