O CEAO EM PERSPECTIVA
O espaço do CEAO volta a ser utilizado por quem participa direta ou indiretamente das causas e das relações etnico-raciais, seja no plano da militância, seja no plano dos estudos científicos. Vale destacar a roda de conversa com a primeira participação da professora e mestre Ana Rita Araújo, ao abordar o tema da sua dissertação: Resistência de Santo Amaro, Bembé do Mercado, realizada e defendida no próprio CEAO. Misteriosamente ainda não se sabe a razão de não ser publicada em livro.
Esta semana, o professor doutor Fábio Lima fala de suas experiências no Palácio de Xangô, na cidade de Oyó, na Nigéria, fato que não foi noticiado pela imprensa local, nem pela própria universidade, em se tratando de uma atividade internacional de um cientista e pesquisador local. Vale dizer ainda, o primeiro doutor formado pelo CEAO, que foi à África. O ciclo da roda de conversa termina com o líder religioso, porto-riquenho, radicado em Miami (EUA), Aikulola Fawehinmi Nathan Lugo, sacerdote de Ifá, formado em Òsogbo, Nigeria. De passagem em Salvador, é um elo entre as comunidades da terra Yorubá e da diáspora que pretende contribuir com os praticantes dos cultos africanos de mente aberta.
A programação que culmina com a VII Semana da África no fim do mês, reflete a proposta de transformação do CEAO em uma nova unidade de ensino, pesquisa e extensão da UFBA, de criar um espaço de excelência acadêmica dedicado aos estudos étnicos e africanos. Assim está dito na apresentação do documento lançado no evento comemorativo dos seus 50 anos, em setembro de 2009.
Já afirmei anteriormente neste mesmo espaço que toda instituição tem sua razão de ser. Se a ciência acaba fazendo de objeto o espaço social no qual está inserida, então é preciso dar o retorno do que é feito com as investigações ou cursos. Hoje além de uma instituição cinqüentenária, desde a sua criação possui uma trajetória de conquistas e caminhos a trilhar. O espaço foi criado no fim dos anos 1950, com a intenção de estreitar laços entre Brasil e África, segundo testemunhas da época. As atividades de intercâmbio e extensão avançaram e o CEAO atinge meio século de existência com repercussão internacional, o Programa Interdisciplinar de Pós-Graduação em Estudos Étnicos e Africanos (POSAFRO), a realização de pesquisas relevantes e a longeva Revista Afro-Ásia, considerada a melhor do gênero na América Latina.
Foi uma iniciativa pioneira com suas dificuldades e outras causadas aos grupos governantes no sentido de reparar valores históricos. Instituição fomentadora de iniciativas na área de humanidades e das relações étnico-raciais, numa cidade tão problemática que não consegue se ver no espelho, o CEAO ainda parece ser um corpo estranho na estrutura universitária.
Vale lembrar ao atual grupo gestor que aguardamos parecer do processo aberto após a última reunião de discussão do projeto de transformação do CEAO em nova unidade universitária, dia 20 de abril de 2010. Professores, estudantes, funcionários e demais presentes assistiram à declaração do reitor Naomar Almeida de que o projeto contava com o entusiasmado apoio da reitoria desta universidade. Terá sido apenas palavra de reitor ou a inteligência falhou?
Digo isso para certificar os indiferentes de que as atividades acadêmicas e de extensão, ainda ocorrem nas dependências do CEAO. Na condição de ex-aluno, integro o grupo que aguarda por melhores dias e uma atenção devida para a instituição.

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